A revolta dos nativos
Agora o grande temor é o dos populistas da América andina, suas expropriações, seus discursos nacionalistas ao extremo, demagogos alguns dizem. Mas de onde tiraram a idéia estapafúrdia de que são populistas? A única coisa que pode ser dita desses governos é que são governos democráticos, algo que durante a ultimas décadas seria impensável já que praticamente toda a América Latina foi subtraída do direito a legalidade de seus governos eleitos, substituídos esses por ditaduras militares intimamente apoiadas pelos atuais “guardiões da democracia”, os EUA. Populistas dizem os que têm dificuldade de ver que são governos populares, governos que têm em seus representantes gente com a cara da maioria do povo, seja ele boliviano, venezuelano, peruano, seja o que for.
A nova agora é a da traição de Evo Morales, o presidente boliviano nacionalizou seus produtos naturais, tomou as empresas estrangeiras lá instaladas e os obrigou a reaver seus contratos com o objetivo de que a Bolívia tenha 50% mais um das ações de cada empresa fazendo com que o grosso do dinheiro fique na Bolívia. O que há de errado nessa atitude e qual a surpresa? Nada. A Bolívia simplesmente exerce sua soberania exigindo que se as empresas quiserem se utilizar dos produtos naturais bolivianos terão que pagar o preço que a Bolívia exige e não o que as empresas acham que devem, e essa atitude dá a extrema lição que o estado ainda é maior que o mercado, pois essas empresas certamente negociarão. Com relação à surpresa a única que pode ser constatada é a de que ele cumpriu com o que vinha falando em campanha, caso raro pelo que se vê por aí na política de terras tupiniquim.
No senado os oposicionistas vomitam palavras de ordem, pedem força e rigidez do governo Lula, mas se esquecem que essa ligação com um país tão instável como a Bolívia vem do período FHC, para não ser tão injusto em relação ao governo tucano, essa ligação vem na realidade desde o período Geisel. O erro do governo foi não acreditar que Evo Morales cumprisse aquela “sandice” de se opor ao mercado, mas depois do fato tem se comportado de maneira sóbria e perfeita. O que o governo boliviano talvez tenha errado foi na forma, no modelo escolhido para tomar as empresas, mas é ingênuo acharmos que o povo boliviano tem o governo brasileiro como um governo amigo. Somos nós para eles os imperialistas, os representantes dos opressores que sempre tomaram suas riquezas, somos os mestiços, capitães do mato que caçavam índios e negros para a casa grande (EUA e Europa), e o discurso da revolta toma as veias desse povo.
Resta-nos perceber que tratamos agora com nacionalistas, que guardam na memória de suas ruas todo mal que políticas sanguessuga lhe impuseram. O sanguinário colonialismo espanhol, ditaduras mercantilistas nos anos 60 e 70 apoiadas pelo grande capital estadunidense, a direção liberal dos anos 90 ditada pelo FMI e pelo Banco Mundial seguindo a cartilha do conselho de Washington que em nada melhoraram a vida da maioria da população. A resposta está vindo a galope. Onde estaremos nós? Caçando índios e negros para a Casa Grande escravizá-los?
Até a volta!
Publicada por: Rodrigo Wrencher Cosenza
Em: www.re-vista.info
A nova agora é a da traição de Evo Morales, o presidente boliviano nacionalizou seus produtos naturais, tomou as empresas estrangeiras lá instaladas e os obrigou a reaver seus contratos com o objetivo de que a Bolívia tenha 50% mais um das ações de cada empresa fazendo com que o grosso do dinheiro fique na Bolívia. O que há de errado nessa atitude e qual a surpresa? Nada. A Bolívia simplesmente exerce sua soberania exigindo que se as empresas quiserem se utilizar dos produtos naturais bolivianos terão que pagar o preço que a Bolívia exige e não o que as empresas acham que devem, e essa atitude dá a extrema lição que o estado ainda é maior que o mercado, pois essas empresas certamente negociarão. Com relação à surpresa a única que pode ser constatada é a de que ele cumpriu com o que vinha falando em campanha, caso raro pelo que se vê por aí na política de terras tupiniquim.
No senado os oposicionistas vomitam palavras de ordem, pedem força e rigidez do governo Lula, mas se esquecem que essa ligação com um país tão instável como a Bolívia vem do período FHC, para não ser tão injusto em relação ao governo tucano, essa ligação vem na realidade desde o período Geisel. O erro do governo foi não acreditar que Evo Morales cumprisse aquela “sandice” de se opor ao mercado, mas depois do fato tem se comportado de maneira sóbria e perfeita. O que o governo boliviano talvez tenha errado foi na forma, no modelo escolhido para tomar as empresas, mas é ingênuo acharmos que o povo boliviano tem o governo brasileiro como um governo amigo. Somos nós para eles os imperialistas, os representantes dos opressores que sempre tomaram suas riquezas, somos os mestiços, capitães do mato que caçavam índios e negros para a casa grande (EUA e Europa), e o discurso da revolta toma as veias desse povo.
Resta-nos perceber que tratamos agora com nacionalistas, que guardam na memória de suas ruas todo mal que políticas sanguessuga lhe impuseram. O sanguinário colonialismo espanhol, ditaduras mercantilistas nos anos 60 e 70 apoiadas pelo grande capital estadunidense, a direção liberal dos anos 90 ditada pelo FMI e pelo Banco Mundial seguindo a cartilha do conselho de Washington que em nada melhoraram a vida da maioria da população. A resposta está vindo a galope. Onde estaremos nós? Caçando índios e negros para a Casa Grande escravizá-los?
Até a volta!
Publicada por: Rodrigo Wrencher Cosenza
Em: www.re-vista.info

1 Comments:
Carlinhos, não sabia que vc tinha isso aqui não! Não lí. Voltarei mais tarde para ler.
Mas, enfim, com relação ao último texto do quase rima, pode trabalhar sim. Fique à vontade.
Abraço
Vininha
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